Ontem fomos passear com uma turma de amigos em Cambridge. Uma senhora cidade universitária! Incrível pensar que há 800 anos foi fundado o primeiro núcleo estudantil na vila mercantil nos arrendedores do Rio Cam (Rio Cam cruzado por uma ponte = Cambridge! Adoro ver como o inglês , muitas vezes, é autoexplicativo!). A São Francisco faz lembrar um pouco alguns dos Colleges. Claro que em uma escala muito menor e sem a estrutura colossal encontrada por aqui, mas idéia de pátio central de um monastério ainda é a base dos colleges mais antigos, afinal a Universidade se iniciou baseada na igreja. Aliás, é com muito orgulho que falo que a UCL, onde estudo, foi a primeira Univesidade laica da Inglaterra, criada para receber mulheres, exilados políticos e estudiosos que professavam de outra fé que não a cristã. Porém, é interssante ver o diálogo da academia com as mudanças históricas, como a liberdade de pensamento inicia processos de transformação que adquirem vida própria e lideram mudanças profundas na organização social. Erasmus foi a Cambridge e traduziu o novo testamento. Isso desencadeou um movimento de oposição a algumas práticas da igreja, que se consumou na reforma, que por sua vez justificou a arrecadação das terras antes pertencentes a igreja, que foram destinadas para a construção de mais colleges, nos quais mais conhecimento foi gerado, entre eles a Teoria da Evolução de Darwin, um dos golpes mais profundos na religião cristã.
Bom, agora o lado mais carnavalesco da nossa viagem...Fomos em um grupo de 9 pessoas, todos do Hall onde morávamos antes de nos mudar. Lá nos encontramos com uma amiga brasileira (Isabella) que tem a mesma bolsa de estudos que eu e está fazendo um mestrado em Política Ambiental em Cambridge. Grupo grande, enorme animação, muita rizada, mas caminhadas vagarosas, votação para fazer programas que algumas vezes não são o de sua preferência (como um passeio de barco com roteiro baseado em histórias de fantasmas) mas que no final acabam
surpreendendo, pela companhia e qualidade (as histórias não eram de terror, mas de personagens reais, que marcaram a vida cotidiana da cidade e parecem insistir em permanecer presente no imaginário popular, enfim, mitos e crenças). Ah claro, não podia deixar de mencionar os momentos de grande animação ao redor da mesa: comendo e bebendo, momentos únicos para compartilhar experiências, contar anedotas e porque não, construir grandes teorias (no pub mais famoso de Cambridge foi descoberto o DNA, por exemplo!)
Por fim, um relógio instalado em um dos colleges mais aintigos de Cambridge, Corpus Chirsti, fonte de muita controvérsia (pelo custo e modernidade) e inspiração. O gafanhoto sobre o relógio come o tempo, os segundos que passam como um flash de luz em uma velocidade estonteante. Mais longe do gafanhoto estão os minutos e as horas que num ritmo constante vão aos poucos caminhando na forma de pequenos pontos de luz que acendem e apagam com o passar do tempo. O tempo passa de forma compassada, mas nossa sensação dele não, é errática e inconstante, algumas vezes vagarosa e outras intensa, por isso o gafanhoto em alguns momento anda de forma mais lenta e em outros corre para alcançar o tempo perdido. Na foto o vidro do relógio reflete a imagem do Collegemais imponente de Carmbridge, King’s College.
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