Londres é uma cidade interessante, uma metrópole com ares de interior. Há um forte localismo nos chamados boroughs (semelhantes às nossas subprefeituras, porém com maior autonomia) mas ele é muito intenso mesmo bairros. São diversos comércios locais, centros comunitários, áreas verdes mantidas coletivamente, enfim, uma situação em que todos se conhecem e se encontram nas lojas e momentos de lazer. Mas hoje a caipirice chegou ao extremo – na ida para a Universidade tive de descer da bike e esperar uma pata terminar de alimentar seus patinhos em plena alameda marginal ao Regent Canal. E pata estava arisca, ameaçando qualquer um que tentasse se colocar entre ela e a ninhada. Mas metrópole é metrópole e logo na seqüência enfrentei um transito especialmente caótico por causa do medo generalizado de usar o metro e pegar a gripe suína. Sorte que com a bicicleta posso curtir as paradas interessantes e evitar ao máximo os congestionamentos ...
Tuesday, 28 April 2009
Metrópole interiorana
Londres é uma cidade interessante, uma metrópole com ares de interior. Há um forte localismo nos chamados boroughs (semelhantes às nossas subprefeituras, porém com maior autonomia) mas ele é muito intenso mesmo bairros. São diversos comércios locais, centros comunitários, áreas verdes mantidas coletivamente, enfim, uma situação em que todos se conhecem e se encontram nas lojas e momentos de lazer. Mas hoje a caipirice chegou ao extremo – na ida para a Universidade tive de descer da bike e esperar uma pata terminar de alimentar seus patinhos em plena alameda marginal ao Regent Canal. E pata estava arisca, ameaçando qualquer um que tentasse se colocar entre ela e a ninhada. Mas metrópole é metrópole e logo na seqüência enfrentei um transito especialmente caótico por causa do medo generalizado de usar o metro e pegar a gripe suína. Sorte que com a bicicleta posso curtir as paradas interessantes e evitar ao máximo os congestionamentos ...
Monday, 27 April 2009
passeios de primavera
Nossa, faz mesmo um tempão que não escrevo ... março e abril foram meses difíceis, primeiro o vovô, depois prazos para entregas de trabalho e provas, depois ... ah ... preguiça, uma exaustão mental e emocional.
Nos últimos dez dias aproveitamos para curtir a cidade. Apesar de o Cesar estar estudando para as provas que começam em meados de maio, nós conseguimos tirar alguns dias para passear.
A última viagem (daytrip) foi para Goring, uma vila pacata na beira do Tamisa. Fizemos duas caminhadas que somam 16 km em reservas ecológicas e na beira do rio. Deslumbrante! Essa região tem campos em terreno calcário (chalk grassland), uma paisagem tipicamente inglesa: campos floridos com borboletas. As áreas de preservação são formadas por pequenos terrenos encravados em propriedades privadas. Estranho, mas interessante - pedestres têm direito de passagem pelas propriedades e várias das trilhas cortam fazendas.
Enquanto isso, em Londres, a primavera é uma benção! É pura alegria sair na rua em um dia de sol e presenciar as folhas das árvores começando a brotar, as flores com cores vibrantes variando (algumas florescem no inicio da primavera enquanto outras no fim, cada dia é diferente, uma boa surpresa sempre) e os animais na maior agitação (patos, cisnes, esquilos, coelhos, tudo isso em Londres, no parque atrás de casa). O Zé que veio nos visitar pode curtir um pouco da cidade com perfume de primavera.
Nos últimos dez dias aproveitamos para curtir a cidade. Apesar de o Cesar estar estudando para as provas que começam em meados de maio, nós conseguimos tirar alguns dias para passear.
A última viagem (daytrip) foi para Goring, uma vila pacata na beira do Tamisa. Fizemos duas caminhadas que somam 16 km em reservas ecológicas e na beira do rio. Deslumbrante! Essa região tem campos em terreno calcário (chalk grassland), uma paisagem tipicamente inglesa: campos floridos com borboletas. As áreas de preservação são formadas por pequenos terrenos encravados em propriedades privadas. Estranho, mas interessante - pedestres têm direito de passagem pelas propriedades e várias das trilhas cortam fazendas.
Enquanto isso, em Londres, a primavera é uma benção! É pura alegria sair na rua em um dia de sol e presenciar as folhas das árvores começando a brotar, as flores com cores vibrantes variando (algumas florescem no inicio da primavera enquanto outras no fim, cada dia é diferente, uma boa surpresa sempre) e os animais na maior agitação (patos, cisnes, esquilos, coelhos, tudo isso em Londres, no parque atrás de casa). O Zé que veio nos visitar pode curtir um pouco da cidade com perfume de primavera.
Thursday, 12 March 2009
corte de cabelo
Desisti da minha idéia de deixar o cabelo crescer durante esse ano aqui na Inglaterra. Ter cabelo comprido dá muito trabalho, gasta mais shampoo e toma o maior tempão para secar antes de sair na rua e enfrentar o maravilhoso tempo londrino. Mas vou ser sincera, só me convenci a cortar depois que descobri que perto da faculdade tem uma escola de cabeleireiro que corta o cabelo por £5! Afinal eu não ia pagar £35 para ficar num salão e cortar o cabelo com um desconhecido correndo o risco de não gostar do corte. Mas por £5.... tentador! Bom, lá fui eu, liguei, marquei e fui logo depois da aula, antes mesmo de almoçar (o único horário era 13:45h e minha aula ou termina às 13h ou começa às 14h, sem muita escolha ...). Chegando você fica em uma fila de mulheres e vem um professor olhar o seu cabelo e perguntar que tipo de corte você gostaria, uma espécie de triagem. Definida a sala para onde você vai (eu fui para cortes modernos!) a gente senta, coloca a capa e.... espera. Agora é a vez de escolher o aluno adequado para cada corte. Eu fiquei com uma grega QUE NÃO FALAVA INGLÊS! Não tinha o que fazer, já estava lá mesmo ... Pelo menos tinha mais uma pessoa para mexer no meu cabelo, além da aluna e do professor uma tradutora que também é cabeleireira. Acho que nunca tive tanta gente mexendo no meu cabelo ao mesmo tempo. E por falar em tempo, acho que esse também foi o
corte mais longo da história 3 horas! Sim, pois a aluna não faz nada sem o professor dar o OK e o professor tem 5 alunas para supervisionar e tem de ficar explicando tin-tin por tin-tin (aliás não podia imaginar que cortar o cabelo era tão complicado...). Mas foi uma experiência sociológica, uma tarde encantadora (apesar da fome). A minha aluna estava curtindo Londres, ficava tirando foto de todas as etapas do corte e de todos os colegas na sala. No final ainda tive direito a um super penteado e saí de lá com os cabelos cacheados. Voilá....
corte mais longo da história 3 horas! Sim, pois a aluna não faz nada sem o professor dar o OK e o professor tem 5 alunas para supervisionar e tem de ficar explicando tin-tin por tin-tin (aliás não podia imaginar que cortar o cabelo era tão complicado...). Mas foi uma experiência sociológica, uma tarde encantadora (apesar da fome). A minha aluna estava curtindo Londres, ficava tirando foto de todas as etapas do corte e de todos os colegas na sala. No final ainda tive direito a um super penteado e saí de lá com os cabelos cacheados. Voilá....
Primavera Apesar do frio, nasce um botão.
Vencendo a dureza da terra,
judiada pelas intempéries do inverno.
Um broto de luz, pequeno, mas radiante.
A esperança de (re)nascer,
e trazer consigo a riqueza da vida.
O sonho de florescer e viver intensamente,
pequenos grandres momentos.
Londres, 11 de março de 2009
Vencendo a dureza da terra,
judiada pelas intempéries do inverno.
Um broto de luz, pequeno, mas radiante.
A esperança de (re)nascer,
e trazer consigo a riqueza da vida.
O sonho de florescer e viver intensamente,
pequenos grandres momentos.
Londres, 11 de março de 2009
Sunday, 1 March 2009
Visita a Cambridge
Ontem fomos passear com uma turma de amigos em Cambridge. Uma senhora cidade universitária! Incrível pensar que há 800 anos foi fundado o primeiro núcleo estudantil na vila mercantil nos arrendedores do Rio Cam (Rio Cam cruzado por uma ponte = Cambridge! Adoro ver como o inglês , muitas vezes, é autoexplicativo!). A São Francisco faz lembrar um pouco alguns dos Colleges. Claro que em uma escala muito menor e sem a estrutura colossal encontrada por aqui, mas idéia de pátio central de um monastério ainda é a base dos colleges mais antigos, afinal a Universidade se iniciou baseada na igreja. Aliás, é com muito orgulho que falo que a UCL, onde estudo, foi a primeira Univesidade laica da Inglaterra, criada para receber mulheres, exilados políticos e estudiosos que professavam de outra fé que não a cristã. Porém, é interssante ver o diálogo da academia com as mudanças históricas, como a liberdade de pensamento inicia processos de transformação que adquirem vida própria e lideram mudanças profundas na organização social. Erasmus foi a Cambridge e traduziu o novo testamento. Isso desencadeou um movimento de oposição a algumas práticas da igreja, que se consumou na reforma, que por sua vez justificou a arrecadação das terras antes pertencentes a igreja, que foram destinadas para a construção de mais colleges, nos quais mais conhecimento foi gerado, entre eles a Teoria da Evolução de Darwin, um dos golpes mais profundos na religião cristã.
Bom, agora o lado mais carnavalesco da nossa viagem...Fomos em um grupo de 9 pessoas, todos do Hall onde morávamos antes de nos mudar. Lá nos encontramos com uma amiga brasileira (Isabella) que tem a mesma bolsa de estudos que eu e está fazendo um mestrado em Política Ambiental em Cambridge. Grupo grande, enorme animação, muita rizada, mas caminhadas vagarosas, votação para fazer programas que algumas vezes não são o de sua preferência (como um passeio de barco com roteiro baseado em histórias de fantasmas) mas que no final acabam
surpreendendo, pela companhia e qualidade (as histórias não eram de terror, mas de personagens reais, que marcaram a vida cotidiana da cidade e parecem insistir em permanecer presente no imaginário popular, enfim, mitos e crenças). Ah claro, não podia deixar de mencionar os momentos de grande animação ao redor da mesa: comendo e bebendo, momentos únicos para compartilhar experiências, contar anedotas e porque não, construir grandes teorias (no pub mais famoso de Cambridge foi descoberto o DNA, por exemplo!)
Por fim, um relógio instalado em um dos colleges mais aintigos de Cambridge, Corpus Chirsti, fonte de muita controvérsia (pelo custo e modernidade) e inspiração. O gafanhoto sobre o relógio come o tempo, os segundos que passam como um flash de luz em uma velocidade estonteante. Mais longe do gafanhoto estão os minutos e as horas que num ritmo constante vão aos poucos caminhando na forma de pequenos pontos de luz que acendem e apagam com o passar do tempo. O tempo passa de forma compassada, mas nossa sensação dele não, é errática e inconstante, algumas vezes vagarosa e outras intensa, por isso o gafanhoto em alguns momento anda de forma mais lenta e em outros corre para alcançar o tempo perdido. Na foto o vidro do relógio reflete a imagem do Collegemais imponente de Carmbridge, King’s College. Monday, 23 February 2009
Aventuras de bike

Grandes aventuras nas terras Londrinas: ganhei uma bicicleta! Estava namorando a idéia de comprar uma bicicleta usada, criando coragem conforme vou me acostumo com o sentido das ruas e na medida em que o tempo esquenta (afinal agora já esta fazendo 12oC, temperatura altíssima para cá). O fato é que fui a uma loja de bicicletas para ver qual seria o investimento, pois além da bike teria de comprar capacete, lanterna e outros equipamentos de seguranca. Estava fazendo as contas quando entra na mesma loja uma amiga da faculdade (a irmã da dona do apartamento onde estou morando) vendo uma bicicleta para comprar. Nao é que ela comprou a bicicleta nova e me deu a velha. Bom, com esse empurrão tive de comprar as bugigangas e sair pedalando!
Saí hoje de manhã em direção a academia perto da faculdade (tenho tentado nadas duas vezes por semana). A primeira parte do trajeto é ao longo do canal, um caminho lindo. Percebi que estava quase que passeando quando fui passada por 3 bicicletas logo de cara. Bom, qual é a pressa, afinal esse era meu primeiro dia pedalando. O duro foi a segunda parte do percurso, quando tive de pegar ruas e avenidas. Depois de entrar algumas vezes na contramão, descer da bicicleta e empurrar sobre a calçada outras tantas e é claro, um tombinho para coroar (calma, caí de bunda, um tombo controlado para evitar entrar na rua que me dei conta ser contramão) cheguei na faculdade. Hora de estacionar e prender a bicicleta, mas quem disse que eu conseguia abrir e fechar o cadeado... Ai, ai, ai, quebrei a cabeça, demorei uns 10 minutos mas consegui fazer o cadeado funcionar!
Depois de tudo isso, fiquei com a maior preguiça só de pensar na volta... No final tudo certo, cheguei em casa no final do dia sã e salva, pronta para mais uma aventura, mas só na sexta-feira!
Saí hoje de manhã em direção a academia perto da faculdade (tenho tentado nadas duas vezes por semana). A primeira parte do trajeto é ao longo do canal, um caminho lindo. Percebi que estava quase que passeando quando fui passada por 3 bicicletas logo de cara. Bom, qual é a pressa, afinal esse era meu primeiro dia pedalando. O duro foi a segunda parte do percurso, quando tive de pegar ruas e avenidas. Depois de entrar algumas vezes na contramão, descer da bicicleta e empurrar sobre a calçada outras tantas e é claro, um tombinho para coroar (calma, caí de bunda, um tombo controlado para evitar entrar na rua que me dei conta ser contramão) cheguei na faculdade. Hora de estacionar e prender a bicicleta, mas quem disse que eu conseguia abrir e fechar o cadeado... Ai, ai, ai, quebrei a cabeça, demorei uns 10 minutos mas consegui fazer o cadeado funcionar!
Depois de tudo isso, fiquei com a maior preguiça só de pensar na volta... No final tudo certo, cheguei em casa no final do dia sã e salva, pronta para mais uma aventura, mas só na sexta-feira!
Wednesday, 18 February 2009
Casa nova
Resolvi começar um blog e achei que a melhor maneira de iniciar seria com a casa nova (que a essa altura nem é tao nova assim...). Pois é, saimos da residência estudantil onde morávamos em um studio (nome pomposo para uma kitchnet de 20m2) e viemos para um apartamento de 1 dormitório. Mas eu sou fiel aos meus ideiais, o prédio é council housing, apartamentos sociais de propriedade pública. Tá bom, tá bom, o apê que estamos não e mais do governo, mas os vizinhos são! Há alguns anos houve uma pressão para que o governo diminuísse suas propriedades (já ouvi essa historia...) e algumas unidades foram vendidas. Viemos morar em um desses apartamentos privatizados.
O bairro é otimo, estamos a duas quadras do Portobello Market (aquele mesmo do filme Notting Hill) e bem atrás do prédio tem um parque com um canal, o mesmo que vai até o Regent Park. Alguns dias de manhã ouvimos gaivotas. É so soltar a imaginação e até parece que estamos na praia, se bem que sol mesmo só em sonho....
O filme fizemos no dia em que chegamos, a casa ainda não estava arrumada, mas dá para fazer um tour virtual.
O bairro é otimo, estamos a duas quadras do Portobello Market (aquele mesmo do filme Notting Hill) e bem atrás do prédio tem um parque com um canal, o mesmo que vai até o Regent Park. Alguns dias de manhã ouvimos gaivotas. É so soltar a imaginação e até parece que estamos na praia, se bem que sol mesmo só em sonho....
O filme fizemos no dia em que chegamos, a casa ainda não estava arrumada, mas dá para fazer um tour virtual.
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